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Dor e delícia de saber ser incompleto

08 de dezembro de 2009
1 min de leitura

Carlos de Brito e Mello relaciona morte e palavra em seu romance de estreia

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O narrador de A passagem tensa dos corpos (Companhia das Letras, 248 pp., R$ 43), romance de estreia do mineiro Carlos de Brito e Mello, pretende sair da casa de C. depois de uma bebedeira festiva. Mas ele afirma que a contagem do tempo, diferente da do calendário, está adiando de modo irritante o seu desejo de festa e o porre consequente. Quem narra essa estranha situação está confuso – ambíguo, ele não tem nome nem consistência física. Pode ser a morte. Ninguém sabe. Só se sabe que C. é um cadáver atado a uma cadeira da sala de jantar pela esposa e pela filha. Ambas não aceitam a morte dele, talvez assassinado por um de seus familiares. Ninguém sabe. Para Brito e Mello, a única coisa passível de compreensão é que os indivíduos estão condenados à falta de algo. Ganhador do prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, Carlos de Brito e Mello, de 35 anos, explora no livro as possibilidades de narrar a morte, colocada em regime de exceção no mundo atual.

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