Tinhorão: livro retrata o jornalista, e não a lenda
“Tinhorão, o legendário” esquece anedotas e se concentra no trabalho do biografado
Velhos jornalistas costumam contar histórias sobre José Ramos Tinhorão. Se gostam dele, é possível lembrar coisas como o elogio feito a um jovem candidato a copidesque por um editor muito atento à qualidade do texto jornalístico: “Se você continuar assim, pode vir a ser quase tão bom quanto o Tinhorão”. Mas, se não gostam, talvez citem uma das respostas dadas por ele a repórteres que o provocaram querendo saber sua opinião sobre artista recém-falecido, o qual, sabidamente, Tinhorão já fulminara com suas críticas, o jazzman Victor Assis Brasil:”Morreu? Agora só falta o Paulo Moura…” Não há muitas histórias como essas no livro Tinhorão, o legendário (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 280 pp., R$ 20)., de Elizabeth Lorenzotti. No entanto, sai-se dele sabendo mais — e conhecendo melhor — o polêmico jornalista, crítico de música e historiador de cultura urbana do que pelo farto anedotário que ele tem inspirado. A autora, com acerto, preferiu traçar um retrato amplo, objetivo e nada folclórico de seu personagem.
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