Raimundo Carrero mistura fé e sexo
Vencedor do Prêmio SP de Literatura, autor criou personagens marcados por embate entre a religião e a libido
Ao acordar, em geral por volta das 4h30, Raimundo Carrero faz uma oração.
Logo depois, o autor pernambucano de 62 anos começa a escrever histórias de prostitutas, bêbados e loucos repletas de sexo e violência. A minha alma é irmã de Deus (Record, 176 pp., R$ 34,90, a mais recente delas, ganhou no último dia 2 o Prêmio São Paulo de Literatura. Carrero embolsou R$ 200 mil, o maior valor pago por um prêmio literário no país. No auditório do Museu da Língua Portuguesa, onde foi condecorado, dedicou a conquista à mulher, Marilena, com quem vive há dez anos. Do Recife também trouxe, no bolso do paletó, à altura do peito, um terço, do qual não se separa. Antes disso, no início do ano, o livro recebeu o Prêmio Machado de Assis. A história de Camila, jovem que se envolve com o pastor de uma seita e parte com ele para uma vida errante, representa uma virada na carreira de Carrero. O romance marca o início do que ele define de “fase de maturidade”, centrada na análise psicológica dos personagens.
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