Romance de dimensão atlântica
PublishNews, Redação, 11/03/2026
Em 1896, três personagens deixam para trás o lugar que lhes era destinado

Em 1896, três personagens deixam para trás o lugar que lhes era destinado. No interior de Portugal, o Padre Pinto abandona sua igreja em Castelo das Fontes no auge do verão. Quase ao mesmo tempo, o Obscurecido, figura ingênua de Altas Pedras, uma aldeia vizinha, põe-se a caminhar pelas estradas da Serra da Estrela, sem que se saiba exatamente o que o move. Esses gestos iniciais, aparentemente isolados, dão partida a uma narrativa construída a partir do deslocamento e da inquietação. A milhares de quilômetros dali, no arquipélago de Cabo Verde, Artemísia, jovem mestiça e ex-escravizada, toma a decisão silenciosa de deixar a plantação de Campina Morna. Sua partida acrescenta ao romance uma dimensão atlântica, ampliando o espaço da narrativa e colocando em relação territórios marcados por desigualdades, silêncios e heranças coloniais ainda em disputa no final do século XIX. O livro Singrando sobre um mar azul de rosas (Folhas de Relva, 98 pp, R$ 69,90 — Trad.: Ana Queiróz), da francesa Joëlle Tiano-Moussafir, marca a primeira publicação pela Folhas de Relva Edições de autores estrangeiros vivos, marco que reafirma o diálogo da editora com a literatura contemporânea de outros territórios.

[11/03/2026 07:55:43]