Eventos
Todos em casa em Ouro Preto
16/11/2010
Escritores africanos foram os destaques desta edição do Fórum das Letras
Luandino Vieira estava convencido de que teria uma grande emoção quando visse Ouro Preto pela primeira vez. Subiu a ladeira, chegou à Praça Tiradentes, olhou ao redor e, quando percebeu, estava pensando em outras coisas corriqueiras. Não teve emoção nesse encontro, estar ali era a coisa mais normal. “Me dei conta de que estava em África, com o povo angolano até pelo jeito das mulheres andarem”. O tema África caiu muito bem ao Fórum das Letras. E escritores vindos de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Portugal e de outros lugares, assim como Luandino Vieira, estavam em casa. A cidade parece também ter gostado da homenagem e da volta às origens. A meninada jogava capoeira e grupos regionais se revezavam em apresentações na frente do Cine Vila Rica quando a chuva fina deixava ou então no saguão do cinema, ponto de encontro entre escritores e leitores.
Eventos
Reencontrando a África
16/11/2010
Fórum das Letras recebeu 80 escritores africanos e brasileiros para uma conversa de seis dias sobre literatura
A chuva fina e fria e o clima meio noir de Ouro Preto nesses últimos seis dias deram uma cara especial ao Fórum das Letras e transformaram o Cine Vila Rica no ponto de encontro de escritores e leitores. Com os veteranos Luandino Vieira, Pepetela, Mia Couto, João Melo e Manuel Rui encabeçando a lista dos escritores convidados, esta edição teve a África como tema e reuniu estudantes, professores e demais interessados em literatura em três, às vezes quatro, sessões diárias de debate. O clima de entusismo pela aproximação entre a literatura feita em países de língua portuguesa era forte. Do lado deles, a possibilidade de um maior destaque no país que já foi referência literária. Do lado de cá, a perspectiva de uma leitura na mesma língua, mas com sons, movimentos e imagens diferentes. Entre os brasileiros convidados estavam Adélia Prado, João Ubaldo Ribeiro, Márcio Souza, Flavio Carneiro, Affonso Romano de Sant’Anna e Marina Colasanti. Outro destaque da programação foi o Ciclo Bravo de Jornalismo. No Fórum das Letrinhas, programação especial para a criançada e para professores. Para a matéria completa, clique no “Leia Mais”. Outras notas sobre o Fórum das Letras podem ser encontradas
aqui. [A cobertura do Fórum das Letras de Ouro Preto pelo PublishNews tem o apoio da
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.]
Eventos
Fórum das Letras de olho nos latinos
16/11/2010
Guiomar de Grammond sonha agora em levar Isabel Allende, Vargas Llosa e García Márquez a Ouro Preto
Idealizado pela professora Guiomar de Grammond e realizado por ela na raça há seis anos, o Fórum das Letras comemorou o aumento de público nesta edição. Segundo a organização, o evento recebeu cerca de 30 mil pessoas entre os dias 10 e 15 de novembro, 50% a mais do que em 2009. Com um orçamento modesto de R$ 600 mil, Guiomar conseguiu trazer bons nomes da literatura africana de língua portuguesa ao Brasil e promoveu seis dias de boas conversas. Para ela, o Fórum chegou ao seu formato ideal e segue com seu objetivo de oferecer atrações gratuitas a toda a população. Para torná-lo ainda mais conhecido, a curadora pretende fazer mini fóruns em cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo. E isso já vai começar a aquecer para a edição de 2011, que deve ter a literatura latino-americana como tema. Sonho dourado de autor? Isabel Allende, Vargas Llosa e Gabriel García Márquez. Confira a entrevista no “Leia Mais”.
Eventos
Manuel Rui comanda a mesa mais musical do Fórum das Letras
15/11/2010
Em homenagem ao poeta Viriato da Cruz, o escritor angolano leu poemas ao som da Trupe Finca Pé
Na mesa mais musical do Fórum das Letras, Manuel Rui encantou ao declamar poemas musicados pela Trupe Finca Pé. Quem deu a deixa foi Abreu Paxe, pego de surpresa para participar deste encontro ao ser escolhido para substituir Fragata de Morais, e que preferiu não falar de si próprio. Ao invés disso, prestou uma homenagem a Viriato da Cruz, considerado um dos impulsionadores da poesia angolana e um dos mentores do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola. Até o Hino de Angola foi entoado na tarde deste domingo (14), em Ouro Preto. Dessa vez, a sugestão veio da plateia e o hino, criado pelo próprio Manuel Rui, foi interpretado pela escritora Kanguimbo Ananás e acompanhado de pé por todos os que estavam no Cine Vila Rica. O assunto guerra, recorrente em quase todas as mesas desta edição do Fórum das Letras, voltou ao debate. Continue lendo.
Eventos
Affonso Romano de Sant’Anna quer ampliar o intercâmbio entre os países lusófonos
15/11/2010
Se dependesse dele, cada editora brasileira doaria um exemplar para a Biblioteca Nacional e ainda outros para os países africanos de língua portuguesa
E se a lei de depósito legal fosse alterada e as editoras tivessem de enviar, além do já usual exemplar para a Biblioteca Nacional, também um exemplar para cada um dos países lusófonos? A ideia foi lançada por Affonso Romano de Sant’Anna há 20 anos e repetida na tarde deste domingo (14), no Fórum das Letras de Ouro Preto. Affonso comentou que hoje os tempos são outros e o diálogo entre o Brasil e os países africanos está muito mais frequente do que em qualquer outro momento da história do Brasil. Por isso, acha que agora a ideia pode vingar. A plateia gostou e ainda sugeriu que esses países fizessem o mesmo e mandassem uma amostra de sua produção editorial para cá. Pelas contas do poeta, o Brasil edita entre 30 e 40 mil títulos ao ano. Nesses 20 anos, já teria sido possível construir bibliotecas que tatalizassem cerca 600 mil volumes. Outras notas sobre o Fórum das Letras podem ser encontradas
aqui.
Eventos
“A poesia brasileira é uma piada”
14/11/2010
Desiludido, Décio Pignatari participou neste sábado do Fórum das Letras e disse que não está mais interessado em poesia e em ser um poeta
Décio Pignatari chegou simpático ao palco do Fórum das Letras de Ouro Preto no início da noite deste sábado (13), aplaudindo a plateia enquanto era aplaudido, mas tão logo chegou sua vez de falar – Fred Barbosa abriu a mesa “Pois é poesia – Ritmo e silêncio” –, assustou as pessoas ao dizer que: a arte morreu, o verso morreu, não existe teatro no Brasil, o brasileiro não sabe falar – e para facilitar coloca, por preguiça, vogal no meio de tudo, a língua portuguesa é frouxa, o brasileiro não sabe ler verso, e outras coisas mais. Antes disso, já preparou a plateia dizendo que sua fala seria mais chata e justificou: “Eu não estou interessado nisso e não quero saber de poesia. Meu interesse é liquidar a poesia. Chega. Basta. Sou um ex-poeta”. Confira outros detalhes de sua participação no "Leia Mais".
Eventos
Fé e poesia no Fórum das Letras
14/11/2010
Para Adélia Prado, não há transcendência que não passe pela cozinha e pelo banheiro, e o grande tema de escritores é sempre o cotidiano
Escritores até podem fazer um esforço para escrever sobre outras coisas que não sejam do cotidiano, mas no fim das contas todo mundo só tem o cotidiano. Essa é a opinião de Adélia Prado, que participou neste sábado (13), com Edney Silvrestre, da mesa Literatura, identidade, verdade no Fórum das Letras de Ouro Preto. “Arte é inteligência e é a expressão do afeto das pessoas. E a expressão do afeto está ligada às necessidades primárias”, disse a poeta mineira que acaba de lançar, 20 anos depois de seu último livro, A duração do dia (Record). “A literatura tem sangue, é suja, tem excremento, suor e lágrima”, completou. Para Adélia, que já sofreu preconceito por ser “só uma dona de casa mineira”, “não há transcendência que não passe pela cozinha e pelo banheiro”. Continue lendo.
Mercado
Poesia moçambicana começa a chegar ao Brasil
12/11/2010
UFMG lança coleção com poemas e poetas inéditos
Levou tempo, mas a prosa moçambicana conseguiu sair dos círculos acadêmicos e já conquistou alguns fãs no Brasil. Mia Couto é o melhor exemplo disso. Ele tem 9 livros publicados pela Companhia das Letras e outro infantil pela Língua Geral, e é presença constante nos eventos literários realizados país afora. Agora, a Editora UFMG quer fazer o mesmo com a poesia, esta sim inédita para a maior parte dos brasileiros. Pensando nisso, acaba de lançar, com organização da portuguesa Ana Mafalda Leite e do brasileiro Wander Melo Miranda, a Coleção Poetas de Moçambique. Os dois primeiros títulos trazem poemas de Rui Knopfli (1932-1997) e de José Craveirinha (1922-2004), e outros dois, com textos de Glória de Sant’anna e Luís Carlos Patraquim, chegam ao mercado no ano que vem. A coleção foi apresentada no Fórum das Letras de Ouro Preto por Roberto Said, vice-diretor da Editora UFMG. Confira no “Leia Mais”.
Língua e Literatura
Polêmica envolvendo a obra de Lobato chega ao Fórum das Letras
12/11/2010
Edição deste ano tem como tema a África e a questão do racismo em Lobato foi levantada por Alberto Mussa durante palestra
Adulto pode contextualizar, mas criança não. E o professor não dá conta de trabalhar, sozinho, a questão do racismo em sala de aula. Esse é o argumento do escritor e pesquisador Alberto Mussa ao defender a proibição do uso da obra de Monteiro Lobato nas escolas. "Nesse ponto, acho que a gente tem que ser radical. É uma obra imprestável para criança". O assunto veio à tona na tarde desta quinta-feira (11), no Fórum das Letras de Ouro Preto. O nigeriano Felix Ayoh’Omidire, também convidado do debate, concordou e foi além dizendo que tem “essa briga com Lobato” desde 2004 e que, por ele, algumas obras de Gilberto Freyre também seriam proibidas. Mais tarde, Mussa disse ao PublishNews que sua preocupação maior é com a proteção da individualidade da criança negra que hoje, contra todas as expectativas de Lobato, lê seus livros. Confira no “Leia Mais”. [A cobertura do Fórum das Letras de Ouro Preto pelo PublishNews tem o apoio da
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.]
Mercado
“Em Angola, mesmo os que dizem que só escrevem sobre o amor estão escrevendo sobre a guerra”
11/11/2010
A afirmação foi feita por Pepetela na noite de ontem, no Fórum das Letras
Guerra, identidade, problemas sociais e religiosidade foram os temas que dominaram a conversa entre o angolano Pepetela e Odete Semedo, de Guiné-Bissau, mediada por Inocência da Mata, de São Tomé e Príncipe, na primeira noite do Fórum das Letras de Ouro Preto. Uma verdadeira mistura de sotaques para tratar de questões tão caras aos dois e ainda tão presentes em suas obras. O último livro de Pepetela, por exemplo, o Planalto e a estepe (LeYa) é uma história de amor, mas onde se vê “o batuque da guerra ritmando o livro e a própria história de amor”, como explicou o autor. Essa obra, aliás, foi indicada pela mediadora a todos os que desejam começar a ler Pepetela. “Depois de Meu pé de laranja lima, eu nunca tinha chorado com um livro, e ele que fez chorar com O planalto e a estepe”. Literatura foi um assunto secundário na conversa porque não era disso que a plateia, formada em sua maioria por estudantes universitários, queria saber. Mesmo assim, falaram das influências e das dificuldades enfrentadas pelos autores e leitores de seus países. Confira no “Leia Mais”.
A cobertura do Fórum das Letras de Ouro Preto pelo PublishNews tem o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.