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Armarinhos do Tahan

Este livro veste que é uma beleza

23/12/2011


A mesma pergunta se repete ano após ano. Tudo bem dar livros de presente em ocasiões como o Natal? E a resposta também se repete: Sim, claro. Cabe nestas linhas analisar o saudável hábito de presentear com livros.
 
Um livro aproxima as pessoas. Quando alguém se arrisca a pensar em como o conteúdo da obra combina com a pessoa presenteada, é um passo de comunhão. A gente nota isso na hora da abertura do pacote, nas feições expressadas pelo futuro leitor.
 
Alguns livros raramente são dados de presente. Difícil embrulhar o Minha luta, de Hitler, por exemplo. A crônica, o humor e os romances são os campeões de bilheteria.
 
Muitos outros pontos são favoráveis para se lembrar do presente-livro. Eles não apertam o joanete e vestem que é uma beleza, até para quem ganhou uns quilinhos e só usa preto ultimamente. Não assusta uma cor cítrica na capa, como aquela da camisa berrante que você deu no último amigo-secreto, lembra?
 
É delicado presentear com perfume: as influências de clima e temperamento dificultam a escolha. Se o lugar é quente, vai melhor um adocicado; se é frio, amadeirado, ou vice-versa.
 
Também tem aquele primo que só é visto nas festas de fim de ano, o chamado primo longe. Para os não tão chegados, sempre é recomendável um Verissimo. Suas crônicas ou romances não têm contraindicação, é tiro e queda. Ao seu lado desponta a também gaúcha Martha Medeiros, lida em massa por mulheres de todo o país.
 
E também há os livros da moda, os livros que viram febre. Biografias de personalidades, como a do Steve Jobs, os vampiros adolescentes e os livros nascidos de séries de TV.
 
Vale lembrar quando damos ou ganhamos um livro comprado em alguma viagem, dentro ou fora do Brasil. Uma vez comprei uns cartuns do Quino, em Buenos Aires. Quando pego esse livro em mãos naturalmente me voltam à memória aqueles dias especiais que vivi na companhia da família.
 
Os autografados também são especiais. Imagine ganhar um livro assinado pelo próprio autor. Valem também livros usados, adquiridos em sebos, com anotações nos rodapés.
 
E a generosidade de quando emprestamos um livro? Não vejo outro artigo que seja tão emprestado e que se multiplique tanto como um livro, que renda tanto em tantas mãos diferentes.
 
Por fim, para os inseguros e indecisos, foi criado o vale-livro. Quando você tira o chefe num amigo-secreto, ou o amigo em questão é tão secreto que você sequer o conhece, o vale cai como uma luva. Ainda mais se você não se deparar com um livreiro tão cheio de sugestões como esse que vos fala.

Dono da livraria Realejo na cidade paulista de Santos, José Luiz Tahan gosta de ser chamado de "livreiro". Acha mais específico do que "empresário" ou "comerciante", ainda mais porque gosta de pensar o livro ao mesmo tempo como obra de arte e produto. Zé Luiz tem 40 anos, a metade deles dedicados a este ofício, o de vendedor de livros. Pela ordem, gosta de desenhar, ler, escrever e jogar futebol.

Armarinhos do Tahan é uma coluna que tenta pensar alto algumas questões que encasquetam o livreiro Zé Luiz e que ele espera que, pelo menos algumas delas, também encasquetem os nossos leitores. Em outros momentos, esta coluna é uma espécie de caderno de memórias vividas no balcão, com “causos” e passagens de quase duas décadas de conversas entre um livreiro e estas grandes figuras – os leitores.

“A história prova que a maioria dos escritores acaba sendo esquecida.”

Michel Faber Escritor holandês

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