Os arquivos de Shatzkin

Outra demonstração de que a Amazon ajuda mais os interesses do autor do que os editores

29/07/2015


A Authors Guild e seus aliados recentemente apelaram ao Departamento de Justiça para investigar o possível controle monopolista da Amazon do negócio do livro. É difícil discutir com o fato de que a Amazon vende mais livros para os consumidores do que qualquer conta única já fez e que a empresa está, inevitavelmente, mudando a economia do mercado como resultado disso.

Embora aqueles que lutam contra a Amazon possam e irão apontar as situações nas quais, eles consideram, a Amazon leva uma vantagem injusta por sua posição no mercado, existem dois aspectos no que aconteceu nos últimos 20 anos que os críticos que defendem a intervenção do governo quase certamente ignoram.

A maior parte do sucesso da Amazon é devido ao seu próprio desempenho estelar: inovando, investindo, executando e tendo uma visão do que poderia acontecer quando eles crescessem.

A maior parte do que a Amazon fez para construir seu negócio – quase tudo o que eles fizeram até os últimos anos de dominação do Kindle – beneficiou a maioria das editoras e ajudou no crescimento de suas vendas e sua rentabilidade. (Na verdade, a indústria editorial foi o único setor no mercado de mídia que não caiu de um penhasco na década ao redor do milênio e um forte argumento poderia ser o de que a Amazon na verdade foi quem os salvou.)

Isso não terminou. O exemplo mais recente foi anunciado recentemente. A Amazon agora permite que os leitores se inscrevam nas páginas de seus autores favoritos para receberem notificação dos próximos livros. Isso demonstra mais uma vez a disposição da Amazon para inovar. E ao fazer isso, também beneficia as editoras – um aumento imediato na venda de novos livros para os membros dessas listas dos autores. Mas existem grandes chances de que os autores ficarão mais interessados do que os editores. Esse aspecto da iniciativa vai alimentar a reclamação de que “a Amazon está querendo dominar tudo!”.

Em nosso negócio de marketing digital, muitas vezes mostramos a editoras e autores que a criação de uma página do autor robusta e completa na Amazon deveria ser um elemento-chave da pegada digital de qualquer autor. É vista por um monte de gente e será indexada pelo Google, reforçando a compreensão do Google de quem é o autor e aumentando a probabilidade de que ele será encontrado através de uma busca, até mesmo buscas que não incluam seu nome ou seus títulos de livros. Olhando para tudo isso da perspectiva da editora como tendemos a fazer neste blog, defendemos que as editoras precisam incentivar – ou criar – sites para o autor bem feitos e com bom SEO ou vão correr o risco de que a página do autor na Amazon, ou até mesmo a página do livro, se torne o resultado principal quando alguém fizer uma busca pelo nome do autor.

Quando falamos de site do autor, enfatizamos a importância de construir a base de fãs em tamanho e intensidade. Entre as grandes agências literárias que investem em ajudar os autores com sua presença digital (e são muitas), ajudamos uma a descobrir as técnicas para ensinar seus autores a reunir nomes em listas de e-mail (ou o que Seth Godin chamou de “permissões” pela primeira vez há cerca de duas décadas, quando foi um dos primeiros a ver o valor da construção de listas de e-mails).

Agora a Amazon fez, da forma como sempre faz (simples e só para ela), com que isso seja incrivelmente fácil. Conhecemos editores que se perguntam por que um autor precisaria de um site próprio, em vez de apenas uma página no site da editora. Há muitos motivos que podem ser verdadeiros, incluindo a aparente relutância de muitos editores de “promover” os livros que um autor publicou com outra editora antes. Mas agora os editores poderiam ouvir autores fazendo essa pergunta mas de uma maneira diferente. Por que eles precisam de outra página na web, além da que possuem na Amazon?

Esta discussão não é nova. Goodreads, que foi comprado pela Amazon, faz tempo que permitiu que os fãs se inscrevessem na página de autores, um recurso que foi atualizado recentemente. Da mesma forma que algumas editoras, mas muito raramente para ser algo eficaz. Elas costumam colocar as páginas dos autores em silos – como um “catálogo” – que não vai ter muito tráfego e pouca participação. As páginas de autor estão incompletas. Não fazem promoção interativa.

Assim, ainda há uma resposta à pergunta do autor: o que mais eles podem precisar? O que a Amazon criou não entrega verdadeira conexão direta entre autores e fãs. Na verdade, os fãs estão se inscrevendo na Amazon – através da página do autor – para receber notificações que virão da Amazon. Há pouca indicação de que haverá algum outro compartilhamento da lista do autor, ou quaisquer outras oportunidades criadas para o autor e a base de fãs de se comunicarem (embora “autores convidados” poderão conseguir criar uma mensagem personalizada junto com o anúncio). Mas a coisa mais importante que um autor gostaria de dizer aos seus/suas fãs é “eu tenho um novo livro saindo” e a Amazon resolveu isso.

E ao fazer isso, eles aumentaram o controle que têm do mercado editorial e destacaram mais uma vez que parte do terreno que estão tomando é aquele que as editoras simplesmente cedem. Qualquer editora que não esteja ajudando os autores a se relacionarem com seus leitores e criando ativamente suas próprias listas de e-mail para alertar os interessados sobre os novos livros percebeu agora que estão atrasados. Mas uma coisa ainda é verdade: melhor tarde do que nunca.

Ajudar autores com a pegada digital deles precisa subir na lista de prioridades de cada editora.

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organizada anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files (www.idealog.com/blog).

"Primeiro, fui um grande leitor. Lia tudo, era interessado mesmo. Não queria apenas ler, queria ler com a intenção de me formar."

Luiz Ruffato Escritor brasileiro

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