BookPartners pede recuperação judicial e juiz acata pedido
PublishNews, Leonardo Neto, 13/04/2018
Agora, distribuidora tem até o início de maio para apresentar um plano de recuperação judicial

O juiz Bruno Cortina Campopiano, da 1ª Vara de Jandira (SP), aceitou o pedido de recuperação judicial apresentado pela BookPartners, distribuidora que já foi responsável por 18% do mercado de livros Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP) no Brasil. 

Em sua decisão, o juiz indica que a empresa faz jus à recuperação judicial dada a sua “situação de periclitância financeira” e pelas “dificuldades para manter seus compromissos em dia”. Com o aceite do pedido de recuperação judicial, ficam suspensas todas as ações ou execuções contra a BookPartners.

A empresa tem até o início de maio para apresentar um plano de recuperação judicial e, uma vez apresentado esse documento, tem mais 30 dias para convocar assembleia com seus credores para apresentar o plano a eles.

Estoque da BookPartners | © Chico Audi / Divulgação
Estoque da BookPartners | © Chico Audi / Divulgação

O PublishNews conversou na manhã desta sexta-feira (13) com Carlos Henrique de Carvalho Filho, CEO da BookPartners. Ele confirmou as informações e declarou que se a empresa não tomasse essa medida, não teria como avançar. “Foi uma medida necessária para que a gente pudesse retomar nossas atividades. Estávamos com muitos títulos indo à cartório, o que estava drenando nosso caixa”, disse ao PN. Em busca no portal de serviços do Tribunal de Justiça de São Paulo, o PublishNews apurou que, entre os credores que apresentaram execução de títulos extrajudiciais contra a BookPartners estão o Banco Santander (R$ 5 milhões); as editoras Manole (R$ 358 mil) e a WMF - Martins Fontes (R$ 10 mil) e a distribuidora Luchezi (R$ 246 mil).

Carlos procurou ainda tranquilizar o mercado. “Felizmente nossos credores estão confiantes conosco. De agora em diante, a empresa tem que honrar 100% dos seus compromissos. O que significa que se um fornecedor nos emitir uma fatura de R$ 100 que seja, teremos que pagá-la em dia sob pena de ser decretada a falência”, completou.

Na própria decisão, o juiz Bruno nomeou Orival Salgado como administrador judicial da BookPartners. 

Histórico

O embrião da BookPartners foi a Distribuidora Vértice, criada em 2004 com o objetivo de distribuir livros jurídicos. Inicialmente ligada à Editora Revista dos Tribunais (RT), a Vértice se especializou no abastecimento de bibliotecas e, em 2007, diversificou seu catálogo e passou a oferecer publicações de outras áreas também, sempre com o enfoque nas bibliotecas.

Em 2010, a Vértice se desvencilha da RT e adquire a Empório do Livro e passa a atuar também no segmento de distribuição de livros. Foi só em 2012 que nasce a holding BookPartners, quando o pequeno grupo comprou a Cia. dos Livros, o seu braço varejista da RT.

Em 2015, a BookPartners anunciou parceria com a Ingram para começar a operar uma planta de impressão por demanda (POD) no Brasil. E, em 2017, pouco menos de um ano depois de noticiar que estava tirando o pé do acelerador na ampliação da sua rede de varejo, a BookPartners divulgou a compra da Superpedido.

[13/04/2018 10:10:00]