Sem metadados, sem vendas
PublishNews, Ricardo Costa*, 1º/03/2018
Em novo artigo, Ricardo Costa traz dados interessantes de pesquisas feitas nos EUA, Reino Unido e Alemanha que mostram a relação direta entre metadados e vendas

Nos três artigos anteriores que escrevi sobre metadados, mencionei algumas pesquisas internacionais que mostram a relação direta entre metadados e vendas. Hoje quero mostrar um pouco mais dessas pesquisas, mas sem aquela montoeira de números. Vou tentar não ser chato para a geral — eu sei que a galera do administrativo, do financeiro, da controladoria, adora esses números, mas acho que estão em menor número nesta leitura. Não?

Vamos lá.

A Nielsen realizou pesquisas tanto no Reino Unido quanto nos EUA, sobre a influência de metadados corretos e de qualidade no resultado das vendas. Vamos deixar claro logo de início que é necessário algum histórico para se poder comparar os resultados. Apesar de que já recebi, no início deste ano, três testemunhos de editores brasileiros que em menos de seis meses de uso da plataforma de metadados já notaram mudanças muito positivas, significativas, nos seus processos, ainda não podemos dizer que temos dados suficientes do mercado brasileiro para fazer comparações e pesquisas.

Neste texto, adiciono às pesquisas da Nielsen, outro estudo, este realizado pela GfK na Alemanha. E quero iniciar com uma visão mais geral:

Na Alemanha, em 2014, os números demonstraram que a presença de sinopse nos metadados pode aumentar em 92% as vendas, e a informação sobre disponibilidade dos títulos chega a elevar em 82% as vendas.

A pesquisa da Nielsen no Reino Unido, em 2015,  considerou, em uma das medições, três informações complementares sobre os livros -- Sinopse, biografia do autor e resenha -- e sua influência nas vendas. O resultado aponta para o crescimento de até 72% quando todos os três dados são informados. Atenção! Isto quando os dados básicos já estavam completos e estes complementares foram adicionados.

Já as palavras-chave podem aumentar as vendas de um título em 34%, segundo essa mesma pesquisa. E outro dado importante é a influência da antecedência da informação nos resultados de venda. O Reino Unido tem um padrão que diz que os dados sobre um livro a ser lançado devem ser enviados às livrarias com uma antecedência superior a 100 dias. A gente conhece a realidade do mercado brasileiro, e não vai tão longe nesse tipo de cobrança. Pelo menos não ainda. Mas podemos começar a imaginar um momento não muito distante onde poderemos ter informações com bastante antecedência. Bem, de qualquer maneira, quero contar pra você que essa antecedência chega a aumentar as vendas em 150%! Bastantinho, né?

Antes que você diga, de novo, que isso é lá, que aqui é diferente, vou repetir: estas pesquisas são um parâmetro para o nosso mercado. Os trabalhos de padronização de metadados no Brasil estão ainda no seu início, e temos um longo caminho pela frente; além disso, reconheço que não é um trabalho muito fácil no início.

Voltando a falar do Reino Unido, veja no gráfico a seguir a influência da capa e dos dados básicos no resultado das vendas. Por lá eles têm esse BIC (mencionado no gráfico), que é um grupo de informações básicas que devem estar no banco de metadados. Em vermelho está o resultado quando todos os dados estão completados.

De verdade, espero que estes números sejam mais um motivador para que você se disponha a completar da melhor maneira possível os metadados do seu catálogo. Vou terminar com um fato concreto de manutenção de metadados.

Na Alemanha, há cerca de dois anos, fizemos uma experiência com um título que estava na posição 1.410 na lista de mais vendidos da Amazon.de. Melhoramos a categorização BISAC do título, acrescentamos algumas palavras-chave e colocamos uma sinopse mais completa. Num próximo artigo vou falar com mais detalhes sobre palavras-chave e categorização. Já sei, já sei... estou prometendo isso já tem um tempo... mas é que tem muita coisa pra falar neste tópico de metadados. Aguenta aí só mais um pouco.

Bom, voltando ao livro que estava na posição 1.410 na lista geral na Amazon, depois das atualizações que propusemos e a editora implementou, em um mês o livro passou para a posição 71 na lista geral e nas três categorias que foi classificado, assumiu a posição número 1. Não tem mágica, tem trabalho. E todos podem fazer!

Nos falamos novamente em breve.
Abraço!


* Ricardo Costa é Managing Director do Metabooks no Brasil. Por seis anos, foi sócio-diretor do PublishNews. Além de um apaixonado pelo mundo do livro, é viciado em séries de TV e se mete a cozinheiro (sim, cozinheiro, porque “chef” agora é coisa de TV) nas horas vagas, que são poucas! Ricardo é formado em Análise de Sistemas e tem especialização em Publishing, com experiência em desenvolvimento de negócios no mercado editorial. Trabalhou por seis anos como diretor editorial e de marketing e outros três anos como consultor em desenvolvimento de negócios editoriais; antes disso, foi gerente de produto na HBO Brasil.

[01/03/2018 09:06:00]