Assim foi 2017
PublishNews, Redação, 22/12/2017
Confira a retrospectiva que o PublishNews preparou com os principais destaques do nosso noticiário em 2017

Esta é a última edição do PublishNews em 2017. E, para selar o ano, a nossa redação separou os fatos e notícias mais relevantes no ano que vive seus momentos finais e reuniu todos eles em uma única matéria. Foi um ano marcado pela consolidação (quem não ficou surpreso quando a Cultura anunciou que estava comprando a Fnac que atire a primeira pedra) e pelo fortalecimento do marketplace de livros, mas a palavra que talvez mais fez sentido no ano foi “recuperação”. Diante de um ano tão ruim, como foi o de 2016, 2017 foi de correr atrás do prejuízo. Uma das provas dessa recuperação pode ser vista no Painel das Vendas de Livros no Brasil. O relatório mensal já demonstrou que, nas 48 primeiras semanas de 2017, o varejo apresentou crescimento nominal de 9,82% em relação a igual período de 2016. Nessa retrospectiva, lembramos também como foi que o Brasil se projetou internacionalmente e como o livro foi tratado pelos nossos parlamentares em Brasília. A nossa equipe sai para um merecido descanso hoje, não sem antes desejar a nossos assinantes, colaboradores e patrocinadores um Feliz Natal e um 2017 cheio de livros, literatura e best-sellers! Retomamos na primeira semana de janeiro. E que venha 2018!

2017 em números

O ano passado, 2016, foi tenebroso para o mundo editorial. Isto posto, esperava-se de 2017 que ele fosse um ano de recuperação. E foi. Dados apresentados, mensalmente, pelo Painel de Vendas de Livros, que monitora o varejo de livros no Brasil, mostraram que, de fevereiro até agora, só houve crescimento consecutivos em relação a iguais períodos de 2016. O último relatório, apresentado no dia 14 de dezembro, já computados os números da Black Friday, mostrou que o varejo de livros cresceu nominalmente 9,82% em faturamento na comparação com o ano passado.

Em 2017, tivemos os resultados da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, carinhosamente chamada de Pesquisa Fipe, com dados relativos a 2016. O que se viu foi uma retração de 5,2% em relação ao ano anterior. Foram produzidos 427,2 milhões de exemplares, vendidos 385,1 milhões e as editoras faturaram R$ 5,27 bilhões. Tendo por base os números da Pesquisa Fipe, o mercado de livros encolheu 17% na última década (2006 – 2016), se considerada a inflação no período.

Equipe da Fipe apresenta dados da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro
Equipe da Fipe apresenta dados da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro

Mais digital, menos digital

A Fipe também realizou, pela primeira vez, o Censo do Livro Digital, que deixou muita gente perplexa ao saber que 63% das editoras brasileiras declararam ignorar os e-books. O tema suscitou paixões e foi alvo de muitos debates dentro e fora das páginas do PublishNews. Ao mesmo tempo, uma pesquisa da GfK mostrou que um terço das compras de livros no País é feita pela internet. As editoras podem ignorar o livro digital, mas o leitor brasileiro é cada vez mais digital na hora de fazer suas compras - de livros físicos ou não.

2017: o ano dos marketplaces e de outros mais

Se 2017 pudesse ser definido num único verbete, para a indústria do livro brasileira, esse seria “marketplace”. Essa estratégia de colocar vários fornecedores vendendo em um mesmo endereço (virtual no caso), ganhou força e contornos importantes nesse ano que chega agora ao fim. Um dos principais movimentos nesse sentido foi o lançamento do “shopping virtual” da Amazon, em abril. A investida conseguiu até o impensável: trazer Alexandre Martins Fontes, um dos caras mais críticos da gigante de Seattle, para perto de Jeff Bezos. Mas não parou aí. No mês seguinte, foi a vez de a Cultura passar a integrar o marketplace da Via Varejo, passando a oferecer seus produtos pelos sites das Casas Bahia, Pontofrio e Extra. A Saraiva, maior varejista de livros no país – até que se provem o contrário – também entrou na onda e passou a vender seus produtos pelo Mercadolivre.com e pela B2W, donas das marcas Submarino, Americanas.com e Shoptime.

Quem não ficou surpreso com a compra da Fnac pela Cultura?
Quem não ficou surpreso com a compra da Fnac pela Cultura?

Consolidação

A consolidação das empresas da indústria editorial é uma realidade e um caminho sem volta. Mas provando que 2017 seria um ano diferente, o ano foi aberto justamente com uma notícia que ia na contramão desta tendência. A HarperCollins, editora que aportou no Brasil graças a uma parceria com a Ediouro, começou o ano em carreira solo, se desmembrando da estrutura da Ediouro. Mas isso não foi só aquela exceção que serve para confirmar a regra. 2017 foi sim um ano de consolidações importantes. A mais relevante delas chegou, mas não sem antes cumprir uma via crucis de boatarias e informações desencontradas. Estamos falando, é claro, da polêmica “compra” da FNAC pela Cultura. O caminho até chegar a confirmação dessa notícia foi dura. A primeira fumaça veio com uma nota na coluna Broadcast, do Estadão, em que falava que a Cultura e Saraiva estudavam uma fusão. Nem bem o mercado tinha se recuperado dessa notícia, a sede da Fnac na França emitia um relatório em que classificava a operação no Brasil como “atividade descontinuada” enquanto que a Fnac Brasil falava que dava início a “um processo ativo de busca de parceiro local para continuar e reforçar sua operação no país”. De tanto procurar, encontrou a Cultura, que estava, na época, imersa em dívidas com seus fornecedores. A sede francesa, diante da situação financeira da Cultura, chegou a injetar R$ 150 milhões na nova dona.

O processo de consolidação não parou aí. No mundo da distribuição de livros físicos, a Bookpartners conquistou musculatura ao comprar a Superpedido. E com isso também chegou aos livros digitais. A agregadora digital alemã Bookwire comprou a pioneira DLD, incorporando em seu catálogo, a distribuição de importantes editoras como Sextante, Record, Rocco, Planeta, L&PM, Novo Conceito, HarperCollins, Elsevier e Ediouro.

** Atualização: depois do fechamento desta matéria, a Livraria Cultura anunciou a aquisição da plataforma de marketplace Estante Virtual, dona de uma base de quatro milhões de usuários. A transação "vem ao encontro do atual movimento de expansão da Livraria Cultura, iniciado com a aquisição da Fnac no Brasil, em julho de 2017", disse a varejista em comunicado enviado à imprensa. 

Brasília e o livro

Em Brasília, a indústria do livro teve conquistas importantes ao longo de 2017. A primeira – e mais completa – delas foi a decisão do STF em equiparar e-books e e-readers ao livro, estendendo a essas novas formas de leitura a imunidade tributária garantida pela Constituição Federal. Em seu voto, o ministro Dias Toffoli, relator do processo, derrubou o argumento de que a vontade do legislador, ao propor nas Constituições de 1969 e de 1988, foi restringir a imunidade ao livro editado em papel. “Dessa perspectiva, não me parece que o art. 150, VI, d, da Constituição, refira-se apenas ao método gutenberguiano de produção de livros”, defendeu no seu voto.

Deputada Maria do Rosário fez relatório favorável à Lei Castilho que está nos finalmentes de sua tramitação no Parlamento
Deputada Maria do Rosário fez relatório favorável à Lei Castilho que está nos finalmentes de sua tramitação no Parlamento

Ainda em Brasília, o mercado comemorou, ao longo de 2017, os passos que o Projeto de Lei que institui a Política Nacional do Livro e Leitura – a Lei Castilho – deu no Congresso Nacional. A lei, se aprovada, vai traçar estratégias que devem contribuir para a universalização do direito ao acesso ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas. A Lei Castilho termina 2017 com um parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, último passo da sua tramitação no Parlamento antes de ir para a sanção presidencial no Executivo.

Outra notícia que mereceu destaque no PublishNews foi a Lei do Preço Fixo que andou pouco, mas andou, ao longo de 2017. O Projeto de Lei fecha o ano estacionado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde está desde setembro aguardando um relatório que deverá ser feito pelo senador Lindbergh Farias (PT / RJ). O parlamentar já tinha sido o relator da matéria na CCJ do Senado, onde apresentou relatório favorável.

Um outro episódio marcante nas relações do livro com Brasília foi a remodelação do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) que passou a se chamar Programa Nacional do Livro e do Material Didático, abraçando, além da compra de livros didáticos, livros de literatura e demais materiais que possam ser usado dentro de sala de aula. Se por um lado isso poderia representar uma boa notícia - o governo federal voltaria a comprar livros de literatura depois da suspensão do PNBE - Programa Nacional Biblioteca na Escola -, por outro deixou muita gente preocupada, já que não há sinalização de aumento do orçamento no PNLD. Ou seja, se sai mesmo o edital para compra de livros de literatura (e isso deve acontecer em 2018), o bolo será o mesmo, mas terá que alimentar mais bocas.

Luiz Schwarcz recebeu, da Feira de Londres, o London Book Fair Lifetime Achievement do prestigiado International Excellence Awards
Luiz Schwarcz recebeu, da Feira de Londres, o London Book Fair Lifetime Achievement do prestigiado International Excellence Awards

Brazil com z

Editores e entidades do livro continuaram na sua difícil missão de levar as letras brasileiras pelo mundo afora. Um dos resultados mais importantes nesse sentido foi visto na Inglaterra, onde Luiz Schwarcz recebeu, da Feira de Londres, o London Book Fair Lifetime Achievement do prestigiado International Excellence Awards. 

O Brazilian Publishers (BP), projeto setorial encampado pela CBL em parceria com a Apex Brasil, esteve em pelo menos quatro missões oficiais: Frankfurt, Guadalajara, Bolonha e Sharjah. Nessas quatro feiras, o BP contabilizou negócios na ordem de US$ 1,5 milhão em vendas de direitos autorais e exportação de livros realizados durante os eventos ou nos 12 meses subsequentes. Por falar no BP, em 2017, o contrato celebrado entre CBL e Apex foi renovado e o projeto receberá, em 2018, aporte de R$ 5,5 milhões para as suas ações, que inclui o lançamento de uma bolsa de tradução que oferecerá, entre 2018 e 2019, R$ 200 mil em apoio a tradução.

Se em 2016, dada a corrosão do Real em relação ao Euro, nenhuma editora brasileira configurou entre as maiores do mundo no Global Ranking of the Publishing Industry, duas delas apareceram em 2017: Somos, na 32ª posição, e FTD, na 49ª. 

[22/12/2017 11:46:00]