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Livros no Porto Maravilha, uma tragédia ou desrespeito ao verdadeiro trabalho?
PublishNews, Volnei Canônica, 29/08/2017
Em sua coluna, Volnei Canônica rebate informações sobre os livros do Porto Maravilha

O colunista Afonso Borges do jornal O Globo, publicou no último dia 24, um artigo intitulado "O bibliotecário de meio milhão de livros". Quando a falta de informação ou a negação da manifestação de todas as partes envolvidas é tornada pública, isso pode significar o uso de uma fonte não confiável, leviandade, ou má fé. O resultado é uma declaração inconsistente, que ao expor um fato sem seu contexto gera um factoide.

Na foto da esquerda, tirada em 2015, Volnei Canônica, então diretor do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, e Veridiana Negrini, ex-coordenadora geral do SNBP, em visita ao galpão do Porto Maravilha. Na foto da direita, Cristian Brayner posa com o acervo, que, segundo Canônica, foi organizado pela gestão anterior a de Cristian.
Na foto da esquerda, tirada em 2015, Volnei Canônica, então diretor do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, e Veridiana Negrini, ex-coordenadora geral do SNBP, em visita ao galpão do Porto Maravilha. Na foto da direita, Cristian Brayner posa com o acervo, que, segundo Canônica, foi organizado pela gestão anterior a de Cristian.
Na coluna, o tema abordado era sobre os livros que estão localizados no galpão do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Livros oriundos da cota de doação de projetos da Lei Rouanet que deveriam ser distribuídos pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP).  Caberia ao SNBP selecionar, preparar e enviar o material para bibliotecas de todo o país, com o objetivo de ampliar e qualificar o acervo das Bibliotecas Públicas e Comunitárias.

Entendendo que cada biblioteca brasileira tem um perfil e é um organismo vivo dentro da sua comunidade, não faria sentido dar continuidade à distribuição aleatória de livros, sem levar em consideração os parâmetros básicos que envolvem os processos de formação e desenvolvimento de acervos. Então, a partir de 2011, a Coordenação Geral do SNBP iniciou um processo mais aprofundado de análise das obras recebidas e o interesse destas obras para as diferentes bibliotecas.

Entendendo todo este processo, o Ministério da Cultura, em 2013, decidiu que os proponentes dos projetos da Lei Rouanet deveriam distribuir diretamente os exemplares de livros nas bibliotecas. A partir de então, não seria mais necessário enviar para o MinC fazer a distribuição das obras. 

É importante que se torne público para mais pessoas o que já é de conhecimento das bibliotecas públicas e comunitárias brasileiras: no período entre 2012 a 2014 o SNBP distribuiu aproximadamente 430 mil itens conforme quadro abaixo, disponível nos relatórios anuais da Coordenação Geral e disponível também no site do SNBP até o primeiro semestre de 2016.

Outro fato que é de conhecimento de todos que atuam na área da promoção do livro e da leitura, e que acompanham as mudanças e os avanços nas políticas públicas para a área, é que a partir de 2015 o SNBP migrou da Fundação Biblioteca Nacional para a extinta Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB), mudando toda a sua estrutura e, junto com a DLLLB, se deslocou fisicamente para Brasília. 

Ainda em 2015, com o início das obras no prédio anexo da Biblioteca Nacional para a construção da Hemeroteca. todos os livros foram embalados e armazenados para posterior distribuição. 

Neste período o MinC constituiu um grupo de trabalho para pensar um projeto de doação dos livros que incluía: a Coordenação Geral do SNBP, um representante da Biblioteca Nacional, um assessor da Secretária Executiva e um assessor do Gabinete do ministro da Cultura. Foram realizadas diversas reuniões com os Correios, incluindo o ministro da Cultura, o secretário-executivo do MinC, o presidente dos Correios e o diretor da DLLLB buscando uma possível parceria para a distribuição do acervo remanescente.

Entre o final de 2015 e o início de 2016 o SNBP/DLLLB elaborou um projeto para a distribuição das obras do Porto Maravilha para as bibliotecas públicas e as bibliotecas comunitárias / pontos de leitura, com vistas à qualificação de seus acervos. O projeto daria início ao processo licitatório que visava escolher empresas cujo objeto do contrato social seria de atividade compatível com a ação a ser desenvolvida, detentoras de know-how em trabalhos correlatos, ou em tratamento técnico bibliográfico informatizado para a realização de propostas técnicas e comerciais dos serviços. 

A empresa que ganhasse o processo licitatório, seria contratada para executar este serviço e deveria: realizar o Inventário deste material; estabelecer um sistema de despacho/envio para as bibliotecas municipais, contabilizando as saídas do acervo; ter um módulo de emissão de relatórios estatísticos e gerenciais do acervo; formar, segundo as orientações do SNBP, um acervo mixado e embalado. 

O projeto previa também que os kits de livros fossem distribuídos da seguinte forma:

Bibliotecas Públicas 600 kits
-   Doação para 27 Bibliotecas Públicas Estaduais – kit 2 mil itens
-   Doação para 240 Biblioteca Pública municipal – kit 1 mil itens
-   Doação para as 342 Bibliotecas públicas municipais dos CEUS – kit com 500 itens;

Bibliotecas Comunitárias 300 kits
-   Doação para 250 Bibliotecas Comunitárias/Pontos de Leitura – kit com 500 itens
-  Doação para 50 Bibliotecas Comunitárias no Exterior  em parceria com o Ministério das Relações Exteriores – kit com 250 itens

Este projeto seria executado em 2016, não fossem as mudanças políticas no nosso país. Inclusive, o Ministério da Cultura já havia destinado ao projeto aproximadamente 4 milhões de recurso do Fundo Nacional de Cultura.

Todas as informações trazidas aqui estão no relatório entregue pela Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas na mudança de Governo de 2015. Então, o colunista Afonso Borges, ao escrever que o ex-diretor do Departamento Cristian Brayner encontrou os livros "largados à própria sorte há quatro anos" evitando, segundo as palavras de Borges "uma quase tragédia brasileira" demonstrou, no mínimo, falta de informação e conhecimento sobre o assunto. Já em se tratando do ex-diretor Cristian, seria esperado que compartilhasse a verdadeira história construída nas gestões anteriores, já que teve acesso ao referido relatório da pasta que assumiu.

Volnei Canônica é formado em Comunicação Social – Relações Públicas pela Universidade de Caxias do Sul, com especialização em Literatura Infantil e Juvenil também pela Universidade de Caxias do Sul, e especialização em Literatura, Arte do Pensamento Contemporâneo pela PUC-RJ. É diretor do Centro de Leitura Quindim e ex-diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, do Ministério da Cultura. Coordenou no Instituto C&A de Desenvolvimento Social o programa Prazer em Ler. Foi assessor na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Na Secretaria Municipal de Cultura de Caxias do Sul, assessorou a criação do Programa Permanente de Estímulo à Leitura. o Livro Meu. Também foi jurado de vários prêmios literários.

Tags: DLLLB, MinC
[29/08/2017 06:30:00]
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