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Meu balanço do PublishNews em Paraty
PublishNews, Carlo Carrenho, 1º/08/2017
Carlo Carrenho traz em sua coluna suas impressões bastante pessoais sobre as atividades do PublishNews e sua participação na Flip

A Festa

Sexta-feira da Flip, 9h40 da noite, ao lado das canoas repletas de cerveja à espera dos convivas da Festa do Policarpo, patrocinada por Kobo, Bookwire e Bookwitty. “Você pode me vender uma cerveja?”, pergunta um rapaz que brinca com a filha em um dos balanços da praia do Pontal em Paraty. “Pegue uma aí, tranquilo”, eu respondo. “Não, mas quanto custa?”, ele insiste. “Cara, a cerveja é para todo mundo, pode pegar”, insisto de volta. “Com o que eu posso ajudar, então?”, diz ele surpreso com a cerveja ofertada.

Minutos depois, com os convidados da Festa do Policarpo chegando, outro morador paratiense pergunta: “Como funciona, o que eu tenho de fazer”? Eu respondo ali do lado da canoa encervejada: “Você pega uma cerveja e bebe, e tem pão com linguiça ali no quiosque. É para vocês”. Em seguida, mais alguém pergunta quanto custa a cerveja e se espanta quando eu dou um latão de Skol para ele.


Estes momentos no início da Festa do Policarpo foram um dos pontos altos da Flip 2017 para mim. E acho que vale salientar que a ideia de fazer uma festa completamente acessível não é um detalhe, coincidência ou desleixo, mas um statement ideológico do PublishNews. A gente acredita que pessoas completamente diferentes, com origens distintas e ideias contrastantes possam conviver e formar uma sociedade. E é isto que tentamos provar e, mais importante, por em prática nas festas que realizamos na Flip.

Acho que nosso produtor Raphael Vidal sintetizou nossa festa com perfeição: “Um baile na praia com 1.200 latões de cerveja (gelados em duas canoas) e 300 pães com linguiça de graça, pula-pula para adultos e fogueira para esquentar os corações, misturando mendigo, intelectual, bebum, hipster, caiçara, gringo, escritores, editores e leitores, inclusive não-leitores e até quem nem sabe ler. A Festa do Policarpo (batizada assim esse ano em homenagem a Lima Barreto) se torna necessária para a Flip que vive suas festas entre cercadinhos, pulseiras VIP e nomes na porta. Não é à toa que os comentários pelas ruas são sobre a ‘única festa popular’ da cidade destes cinco dias”.

As conversas

As 15 mesas da programação que o PublishNews montou tiveram bom público. E, considerando que falávamos sobre mercado de livros, não sobre literatura, isto me surpreendeu bastante. Foi particularmente prazeroso mediar a mesa nº 2, Pensando Fora da Amazon, com a presença na plateia do pessoal da empresa de Bezos, que participou com comentários e mostrou que a convivência é possível. A mesa nº 6 sobre estatística de livros, que eu também mediei, lotou a Casa PublishNews às 11h30 da manhã e foi superdivertida apesar do tema arenoso. Foi muito legal ver gente interessada nos números.

Leonardo Neto mandou muito bem como mediador de diversas mesas, com muita gente elogiando. Até a mesa na manhã seguinte à Festa do Policarpo, para qual ele mesmo se escalou, foi muito bem mediada, apesar da noite não dormida. Eu particularmente adorei a mesa nº 11, sobre eventos literários fora do eixo, que uniu sotaques dos nossos muitos brasis, incluindo o modo “das Alagoas” de falar de Carlito Lima, que sempre me emociona por lembrar meu avô alagoano, cujo sobrenome era... Lima! Nesta mesa, também foi divertido ver o querido Leonardo Tonus contrastando simpaticamente com a turma com seu jeito de Sorbonne. Aliás, foi ainda mais divertido logo na mesa nº 1 ver o Luiz Álvaro de Menezes de bermuda e o professor da Sorbonne de terno, já dando o tom da diversidade que procuramos valorizar em tudo que fazemos no PublishNews. 

A família

Raramente minha família acompanha in loco as atividades do PublishNews. Muitas vezes isto envolve viagens. Além disso, a Carla é de uma área que, ainda bem, pouco tem a ver com livros (embora ela seja autora da Manole!!!). Mas desta vez tanto ela, quanto a Tarsila e o Lorenzo, foram prestigiar as loucuras do PublishNews na Flip. Foi muito gostoso vê-los ali vestindo literalmente a camisa do PublishNews apesar da pouca atenção que eu podia dar para eles na correria do evento. Finalmente, Tatá e Lolô estão começando a entender o que eu faço (não que eu mesmo entenda), e ela disse outro dia, do alto dos seus oito anos, que sou “livrista”.

A família PublishNews, com Carlo, Carla, Lorenzo e Tarsila | © Julio Vilela
A família PublishNews, com Carlo, Carla, Lorenzo e Tarsila | © Julio Vilela

Foi ainda mais gostoso ver todos eles na Festa do Policarpo. Lolô, de sete anos, estava cansado e com um pouco de febre. Quando ele desmaiou de sono, coloquei minha Defender na areia da praia, perto do pula-pula, e pudemos deixá-lo dormindo ali enquanto sua irmã se divertia dançando até 1h30 da manhã com os pais – e dando uma prévia das noites insones que teremos em sua adolescência... No dia seguinte, ela me abraça e diz: “Você escolheu a melhor profissão do mundo”. Eu pergunto por quê. “Porque você faz festas”. Pelo jeito já não sou mais “livrista”... Mas profissional dos livros ou das festas, foi uma enorme satisfação ter todo mundo em Paraty.

O pequi

A Casa PublishNews só foi o sucesso que foi graças à toda a equipe. Mas eu queria aqui fazer um agradecimento especial para a única pessoa que estava ali completamente voluntária, sem nenhuma remuneração ou benefício de divulgação. Marcelo Marques, o primo do Léo, despencou como um pequi lá de Goiás para debutar na Flip. E se no início, quando eu comecei a participar da produção da Casa, eu não tinha a menor ideia do que ele vinha fazer, a verdade é que ele foi fundamental para nossas atividades. Sempre solícito, Marcelo era pau para toda obra, mas ainda usou suas habilidades profissionais para melhorar os espaços de exibição, encontrar a melhor disposição de banners e montar praticamente sozinho a exposição de fotos do Henri Cartier-Bresson. E, por tudo isso, queria deixar aqui meu muito obrigado para nosso novo goiano, e dizer que agora não tem mais Casa PublishNews sem ele.

A equipe: Marcelo Marques, o primo do Léo, é o quarto a partir da direita | © Julio Vilela
A equipe: Marcelo Marques, o primo do Léo, é o quarto a partir da direita | © Julio Vilela

O livro

Outra coisa que me orgulhou na Flip foi o livro Subterrâneos do Morro do Castelo e outras histórias, idealizado pela BR75 e impresso em papel Avena pela RR Donnelley. A edição, que tinha por objetivo mostrar a excelência profissional das empresas envolvidas, ficou primorosa. E bateu aquela satisfação no peito quando vi aqueles textos esgotados de Lima Barreto resgatados em uma nova edição. Quem sabe não conseguimos fazer um livro todo ano?

O português

Muita gente me achou tenso nos primeiros dias da Flip. Eu estava sim preocupado com a festa e com a casa, mas a principal razão da minha ansiedade era a mediação de uma mesa com o tradutor e intelectual português Frederico Lourenço. Autor da obra O livro aberto (Oficina), Lourenço era um dos autores convidados da Flip oficial, além de ganhador do Prêmio Camões e um dos maiores tradutores do grego clássico do mundo. Não era à toa que eu, que só medeio mesas sobre mercado editorial, estava tenso com a responsabilidade.

Frederico Lourenço conversa com Carlo Carrenho na Casa Libre & Nuvem de Livros | © Libre Divulgação
Frederico Lourenço conversa com Carlo Carrenho na Casa Libre & Nuvem de Livros | © Libre Divulgação

A mesa aconteceu na Casa Libre & Nuvem de Livros e foi a própria Raquel Menezes, sua editora, que me convidou para a mediação, depois de descobrir que eu cresci na igreja protestante e estudei em escola judaica, o que me deu uma bagagem bíblica considerável. Lourenço está traduzindo a Bíblia grega para o português e O livro aberto é uma série de ensaios sobre os textos do Velho e do Novo Testamento. A conversa com Frederico foi uma delícia e serviu para fazer renascer meu interesse sobre este livro tão fantástico e controverso chamado Bíblia.

A próxima

Em 2018 tem mais. Temos muitas coisas para rever, mudar e melhorar. E a ideia é continuar com a festa, que ano que vem vai exigir um novo modelo e muito mais planejamento na execução. Mas uma coisa é certa: nossa festa sempre será para todos. Até lá!

Carlo Carrenho é o fundador e CEO do PublishNews. Formado em Economia pela FEA-USP, especializou-se em Edição de Livros e Revistas no Radcliffe Publishing Course, em Cambridge (EUA). Atualmente é advisor da Bookwire e da BR75, além de embaixador no Brasil da plataforma de acessibilidade Bookshare. Como especialista no mercado de livros, já foi convidado para dar palestras e participar de mesas em países como EUA, Alemanha, China, África do Sul, Inglaterra e Emirados Árabes, entre outros.

É co-coordenador do curso MBA Book Publishing, da Casa Educação em São Paulo, depois de coordenar por diversos anos o curso de pós-graduação da FGV-RJ sobre o negócio do livro. Sempre atento aos novos modelos de negócio e às mudanças tecnológicas, Carlo possui um de seus focos na questão dos livros digitais e segue com afinco o que acontece no setor digital no Brasil, tanto que é autor do capítulo brasileiro do livro Global eBook: a report on market trends and developments.

Carlo é paulista, mas vive no Rio de Janeiro. É cristão, mas estudou em escola judaica. É brasileiro, mas ama a Suécia. Enfim, sua vida tende à contradição. Talvez por isso ele torça para o Flamengo e adore o seriado Blue Bloods.

[01/08/2017 11:50:54]
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O MBA em Book Publishing é uma pós-graduação Lato Sensu, reconhecida pelo MEC. Com realização da Casa Educação e apoio oficial do Publishnews, o curso tem a coordenação pedagógica do Instituto Singularidades. O programa foi elaborado para contemplar as profundas transformações que o mercado editorial vem passando nos últimos anos, sempre com o objetivo de preparar profissionais de forma completa e eclética para atuarem na indústria do livro. O curso já se encontra na terceira turma.

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