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Super loser: vamos celebrar nossos fracassos
PublishNews, Camila Cabete, 21/07/2016
Em sua coluna dessa semana, Camila Cabete fala sobre como falhou nas vezes em que tentou fazer consultoria na área do livro digital a editores e autores

Super Loser, ilustração de Ismael Alleycat
Super Loser, ilustração de Ismael Alleycat
Se o assunto for fracasso, posso bater no peito e dizer com humildade o quanto fracassei em consultorias. Consultoria é algo que ainda não está claro na cabeça dos profissionais e empresas. Fiz poucas e de nenhuma saí sentindo o cheiro da vitória, como costumo sentir nas empresas em que trabalho, nos projetos dos quais participo.

Quando comecei a trabalhar com livro digital, muitas editoras e autores me procuravam para saber como fazer, por onde começar. Por isso alguns chegaram a me contratar para consultoria, mas não sabiam muito bem o que consultoria significava. Ao contratar um consultor, você "aluga" a hora dele para que te dê uma visão geral do negócio, com dados e contatos. Basicamente, é o que eu faria nesta empresa em relação ao produto digital, se eu trabalhasse nela. Isso inclui uma carteira de contatos, ajuda na negociação de novos contratos, resolução de crises etc... Basicamente um guru-cartomante, só que baseado em experiência de mercado, ou um médico que te entrega um diagnóstico.

O grande problema é que, muitas vezes, quando empresas e profissionais contratam um consultor, eles acham que estão contratando um funcionário, um novo empregado. E na cabeça do consultor, ele está fazendo o papel dele, doando o tempo e criando saídas, enquanto as pessoas da empresa ficam olhando com aquela cara de "que incompetente e preguiçoso"- "ganhando pra fazer nada" e por aí vai.

Por causa dos vários desentendimentos, parei de dar consultorias, o que acabou casando com minha dedicação total a Kobo Brasil. Isso foi um alívio. Faço aqui um mea culpa e declaração de fracasso. Não conseguia ser clara o bastante sobre o que eu poderia ajudar na empresa e o que eu faria no período combinado. Por outro lado, os autores que me contratavam achavam que estavam contratando uma editora, junto com departamento de marketing, mídias sociais e agência editorial... E olha que nem cobrava caro, afinal minha incompetência não me permitia cobrar o valor justo de uma consultoria. O Editor contratava (na cabeça dele) por um valor de consultoria, um editor, diagramador, especialista em marketing e analista de mídias digitais, gerente financeiro - para o pagamento dos direitos autorais... Ah, contador também, afinal, como cobrar por um produto digital?

A clássica era o contratante ignorar veementemente uma sugestão para resolver alguma crise... Mas fazer o que? Quando vou a uma consulta médica não necessariamente significa que eu tomarei o remédio que ele me receitar. Mas seria justo o médico sair como incompetente diante do descaso do paciente?

Há um grande mal-entendido no mercado. O termo consultor virou piada interna em algumas empresas e estes profissionais aptos a ajudarem as editoras no desafio de se reinventarem estão sumindo do mercado... Estão desaparecendo em um momento crucial de mudança e reinvenção de nossa área.

Já tiveram alguma experiência parecida? Tudo bem fracassar de vez em quando, né? Essa cobrança de ser um sucesso em tudo cansa e é até meio careta. Enfim, não me procurem para consultoria. Topo um café para trocar ideias.

*Super Loser, ilustração do querido Ismael ismaelalleycat@gmail.com que me definiu muito bem assim: “você é uma cachoeira de fúria cuja a saída é uma pequena torneira prestes a se romper" e que "você é minha Power Ranger Violeta" #tamojunto

Camila Cabete (@camilacabete no Twitter e camilacabete no Snapchat) tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books, editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial (@ZoEditorial), que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em um paraíso chamado Camboinhas, com seus gatos pretos Lilica e Bilbo.

O LinkedIn da Camila pode ser acessado aqui.

Sua coluna é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, são publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

[21/07/2016 09:11:22]
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