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Um e-book de sucesso
PublishNews, Andre Palme,* 22/06/2016
André Palme responde ao colunista Paulo Tedesco e afirma que qualquer limitação a formato é considerar menos leitores e menos leitura

Vivo a leitura digital. Ela não é parte do meu trabalho, ela é meu trabalho. E dentro deste contexto escrevo esta resposta ao artigo "Um e-book de fracasso", publicado no PublishNews pelo colunista Paulo Tedesco no último dia 21/6.

Como apaixonado por leitura e tecnologia, há 2 anos resolvi assumir esse papel 100%, junto com outros amigos e profissionais: de mostrar que a leitura digital pode ajudar em muito na formação de novos leitores e na disseminação da leitura. Principalmente se unirmos leitura a um hábito já consolidado para a maioria das pessoas: o uso do ambiente digital. E, por favor, isto não é uma guerra de formatos, é uma batalha pela leitura.

Pra mim o maior equívoco é falarmos apenas de livro digital. Isto por si só já é uma limitação enorme nas possibilidades de leitores atingidos. Se limitarmos a leitura digital ao livro no formato que conhecemos, estamos apenas transpondo um mercado consolidado para um novo universo. É preciso pensar em como atingir o usuário mobile, aquelas 100 milhões de pessoas que olham para o telefone celular 150 vezes todo dia. Isso não acontecerá enquanto não pensarmos em criar ou adaptar conteúdos de leitura para a tela.

Dizer que a leitura digital não pode auxiliar, ou pior, tem a missão única e exclusiva de aniquilar a leitura física é o mesmo que dizer que o cartão de débito acabou com o dinheiro em papel. Não vejo desserviço à cultura em uma ferramenta que possibilita a capilaridade do acesso à conteúdos. Além disso, considerar que a queda no número de vendas dos e-readers significa queda na venda de e-books é o mesmo que dizer que se a venda de calculadoras (aquele aparelho que SÓ faz contas) diminuísse, significaria que as pessoas pararam de fazer contas.

Acho importante colocar aqui alguns números do universo do consumo mobile e da leitura digital:

  • 80% de todo acesso a dados no Brasil é mobile (fonte: IBGE)
  • Hoje são 100 milhões de smartphones ativos no Brasil; em 2013, eram 10 milhões (fonte: Anatel)
  • As pessoas olham o smartphone 150 vezes por dia, todos os dias (fonte: Google)
  • O faturamento de livros digitais cresceu 21% em 2015 comparado à 2014 (fonte: FIPE)
  • O número de e-books vendidos subiu 4,2% em 2015 comparado à 2014 (fonte: FIPE)
  • As vendas de audiolivros subiram 30% no último ano (fonte: DBW)

Para dar alguns números públicos e dos quais tenho acesso sobre a leitura digital (independente se chamamos de livro ou não, porque em última instância deveríamos estar mais preocupados com o aumento na leitura e o consumo de conteúdo e não somente em que formato isto é realizado):

  • A uBook, plataforma brasileira de audiolivros, tem hoje 1 milhão de usuários ativos que ouvem em média 1,5 livros por mês;
  • A Nuvem de Livros, plataforma brasileira de leitura digital tem 2,5 milhões de usuários ativos;
  • Nós, aqui na Kappamakki O Fiel Carteiro, distribuímos conteúdos para 1 milhão de usuários por mês, dos quais 70% ou 700 mil usuários, são conteúdos de leitura digital;
  • Os números de vendas no KDP da Amazon, superam diariamente a casa de milhares de exemplares vendidos (o número exato é confidencial).

Segundo a Dosdoce: “Vários estudos internacionais publicados na Feira do Livro de Londres, assim como na Feira BookExpo em Chicago, indicam que as vendas dos e-books das editoras independentes e dos autores autopublicados de todo mundo estão tendo um comportamento digital muito diferente do que os dos grandes grupos editoriais”. Ainda segundo este estudo, “as editoras independentes e os autores independentes tem tido um crescimento de suas vendas entre 20% e 40%, enquanto os grandes grupos editoriais tiveram sua participação no mercado digital reduzida de 46% em 2012 para 34% em 2015, segundo a Nielsen”.

Se olharmos apenas o mainstream do mercado, ou seja, os grandes grupos editorias, veremos que houve sim uma redução na venda de livros digitais, o que não significa que a leitura digital estagnou ou está em queda; significa sim que todo ecossistema digital independente não é levado em consideração nas pesquisas oficiais, sem contar o fato de que os editores e autores independentes raramente são ouvidos quando estes dados são coletados ou quando se publica uma notícia “oficial”. Se nas pesquisas publicadas levássemos em consideração a auto-publicação, autores independentes, editoras independentes e iniciativas de leitura digital, estes números certamente seriam diferentes.

Quanto mais maneiras de levarmos conteúdo pra mais gente, melhor. Pra mim a lógica é essa. Qualquer limitação a formato é considerar menos leitores e menos leitura.

A música enfrentou desafios semelhantes há 15 anos atrás, com a pirataria, com os artistas publicando seus próprios álbuns e, talvez a mais impactante, com as grandes gravadoras perdendo o poder de decidir quem ia ou não para o mercado. No entanto, a música (aos trancos e barrancos, ok) se adaptou à distribuição digital do conteúdo, assim como o cinema e a TV. O mercado editorial também precisa fazer isso, ou vai continuar perdendo espaço para todas as outras indústrias culturais.

Mas, quem está preso a um único modelo e quer definir sozinho o que vai ou não para o mercado pode perder este bonde. Quem diz ou não se o conteúdo é bom é o leitor.

Condenar a autopublicação quando se é um autor com as portas abertas nas grandes editoras é fácil, difícil é mandar seu original centenas de vezes e não ter a oportunidade de ver seu conteúdo publicado. Que se publique, se é bom ou não os próprios leitores vão saber.


André Palme é sócio da editora mobile Kappamakki O Fiel Carteiro, que leva todos os meses conteúdos digitais para 1 milhão de usuários e está presente em modelos inovadores de leitura. Integra a comissão do livro digital da CBL e é co-organizador do Congresso Internacional do Livro Digital. Membro do coletivo de editores digitais AED, é ainda embaixador do Business Club da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil. Apaixonado por leitura digital, André torce para a bateria do celular não acabar nunca.

André Palme é empreendedor e apaixonado por livros e tecnologia. Esteve a frente de projetos inovadores de leitura em clientes como SBT, Bienal internacional do Livro de São Paulo, TIM e Movile. É sócio e Head of Brand do #coisadelivreiro, uma empresa de inteligência de negócios dedicada ao mercado editorial. Também integra a comissão do livro digital da CBL e é co-organizador do Congresso Internacional do Livro Digital. Membro do coletivo de editores digitais AED, foi o primeiro embaixador do Business Club da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil. É co-fundador do podcast Books n’ Beer e torce para a bateria do celular não acabar nunca.

[21/06/2016 18:12:00]
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A segunda edição do Prêmio Avena PublishNews é uma realização da International Paper e do PublishNews com o objetivo de reconhecer os livros mais vendidos de 2017 e os profissionais de vendas e marketing por trás destes sucessos de prateleira. Trata-se do primeiro prêmio direcionado especificamente para aqueles que cuidam da comercialização dos livros. A cerimônia de premiação acontecerá em São Paulo, no dia 19 de março, com apoio da Unibes Cultural. São cinco categorias baseadas nos números de vendas da lista anual de mais vendidos de 2017, além dos prêmios de Livro Mais Vendido do Ano, Editora do Ano, Profissional de Marketing e Vendas do Ano e a láurea especial Prêmio PublishNews Avena de Contribuição ao Mercado Editorial.

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