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A ameaça do self publishing
PublishNews, 10/03/2011
A ameaça do self publishing

Bom, começando a escrever carnavalescamente sobre self publishing, vamos começar didaticamente por definição:

Self Publishing é o ato de se autopublicar, como a própria tradução diz. Surgiu com força no aparecimento das lojas de e-books onde o autor, que não conseguia editora, passou a ter um canal de distribuição, por sua própria conta sem precisar da editora como intermediária. Alguns autores importantes, depois de anos de brigas com suas editoras, passaram a distribuir seus livros desta forma.

Mas a questão aqui, que pretendo discutir, é sobre o impacto que este sistema pode trazer para as editoras. Será que isso pode significar o fim das editoras? (escrevo isso dramaticamente à moda dos vários dramáticos que discutem “o fim do livro”) hahahahahaha (risada sinistra)

Existem várias plataformas que possibilitam a autopublicação: Smashwords, Perse, Singular Digital, Publit, Amazon e em breve a Gato Sabido estreará sua plataforma!

O sistema consiste em você enviar os arquivos de seu livro para serem comercializados com ou sem DRM (depende da plataforma) e em cima das vendas o autor ganha cerca de 70% do valor de capa. Olhando rapidamente este esquema, você chega a se perguntar se isso realmente não atrapalhará as editoras. Pois eu digo que não!

O Self Publishing só abrirá as portas para os autores que até hoje foram vistos como “não-comerciais” pelas editoras. O self publishing será uma grande vitrine onde as editoras “espertas e abertas” usarão como pesquisa de novos talentos. O self publishing não faz o marketing do livro do autor, não presta contas e controla as finanças, não distribui como uma editora faria, não produz a arte, não converte, não ajuda no metadado, não registra no ISBN, não cadastra nas livrarias públicas, não o inclui em prêmios literários, não o inclui em feiras de livros. Um livro publicado numa destas plataformas pode ser uma gota no oceano.

Se o autor tem tempo e vontade de estudar ao ponto de se gerenciar, e colocar o tempo de produção literária e criatividade nestas coisas burocráticas, ele deve ir em frente. Se está insatisfeito com suas editoras, deve experimentar. Mas acredito demais no trabalho editorial. E duvido que um autor de grande capacidade de produção literária queira perder tempo com metadados, arquivos, conversões, cobranças e outras chatices deste tipo, que nós editores já colocamos no processo diário... e já nem sentimos...

Portanto, mais uma vez vejo as coisas pelo prisma positivo, e só vejo a autopublicação como algo a somar no meu trabalho como editora, e também como livreira. Não consigo ver este conflito que alguns veem, não consigo ver o FIM de nada, na verdade. Será que estou sendo especialmente otimista e enxergando tudo com uma lente rosa?

Bom, embaso demais minhas opiniões com a minha experiência diária. Todos os pessimistas, que venho lendo não têm uma opinião embasada na experiência prática, e sim na ideológica... Muitos não consomem nada digital e não trabalham com isso. Vejo o fim sim, de coisas não adaptáveis, que se negam a fazer manobras de acordo com as mudanças mercadológicas. Mas não é o caso da maioria das empresas e profissionais brasileiros.

Tem alguma opinião divergente da minha ou dúvidas a respeito deste assunto? Compartilhe comigo no twitter no @EnsaiosDigitais ou por email camila.cabete@gmail.com.

Observação sobre a última coluna sobre Distribuição Digital: comentei que a Saraiva não possuía em seu sistema de cadastro de livros (RDS) um botão que pudesse indisponibilizar a obra. Eles entraram em contato comigo e me informaram que sim, já possuem este mecanismo. Entrei no sistema como Caki e o testei. Não é possível deletá-lo, mas a indisponibilização se dá em algumas horas, assim como a disponibilização. Veja o case da Caki #aqui#. Obrigada Saraiva pelo feedback.

Camila Cabete (@camilacabete no Twitter e camilacabete no Snapchat) tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books, editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial (@ZoEditorial), que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em um paraíso chamado Camboinhas, com seus gatos pretos Lilica e Bilbo.

O LinkedIn da Camila pode ser acessado aqui.

Sua coluna é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, são publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

[09/03/2011 21:00:00]
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